segunda-feira, 7 de junho de 2010

Poe 100.306

como vais?
porque sempre se vai...
de encontro às feras, num complexo picadeiro
onde as palmas são menos que o suspiros
e a espera de que abra a cortina.
como vais, sinto o abraço
que gostaria de dar, e o peso do corpo
que não sinto...
de teu corpo, de teu suspiro, ou de tua ausência
não, não é como vais,
sei que andas teus caminhos.
onde me levas é que pergunto
caminhando tuas pernas,
teus pés,
tua ausência.

terça-feira, 1 de junho de 2010

POE 752.312

Viagem

Onde estaria no dia imediatamente
Anterior ao amanhã?
Sei das confusas presenças,
E as revelações chegam
Por estes amigos invisíveis,
Os pela última vez amigos,
Mãos que a dimensão ignora,
Em que a ponte é um cordão de prata
E o universo sempre paralelo.

Não abriram a porta do quarto,
E o signo da luz lunar
Não obliterou em nada, o Sol
Teve a mesma intensidade
Que se antevê, prenúncio e profecia,
já lendários nos mitológicos contos
De priscas eras,
Os amigos não trouxeram mãos.

Onde esta no últimoinstante
E não os vi partir.
Porquanto tempo será tudo assim,
O lábio a espera,
A mão aberta,
O passo suspenso,
Um bailado de borboletas e bruxas
Claras, numa noite de lunas,
Quase como o arrepiar das costas,
Um pressentimento apenas:
A questão olvidada de
Se ainda poderei aspirar
O que foi num tempo
O destino dos homens.

POE 902.008

Posso viver tuas ausências,
Ser companheiro e amigo,
Mas não posso pactuar em ser fração
Pois quero, verdadeira e definitiva
Como mulher e amiga.
És todas e não posso te ter assim
Dividida e fracionada
Estarei a teu lado onde estiveres,
À tua espera até que possas,
Ou nunca queiras.
Mesmo assim és coisa minha
Com a qual vivo.
Não podendo, cumpra-se o destino
De deserto e espera
E não seja esta dor
Impedimento para o amor e a luz
E sempre possas tê-lo de mim
Mas te quero... para a vida
Como mulher, todas as mulheres que és
E tudo o que possa ser.

domingo, 30 de maio de 2010

POE 902.008

O maior gesto de amor
Exige desprendimento e coragem
Para aceitar e dar-se
Em toda a extensão da vida,
Pela realização,
Pela felicidade,
Pelo direito eterno do ser amado
De existir, assim
Não seja amar-te qualquer prisão,
Seja poder esperar desprendido e livre
Pelas horas que precises,
Realmente precises
E se amanhã, solitárias manhãs
Suceder a noite que me ansies, estarei pronto.
Movido pela mesma chama,
Mas livre de teus fantasmas,
E não serei prisão nem porto.
Amanhã saberei onde estás,
Serei como os destinos e as vidas me fizeram,
E tu como os sonhos e os medos,
Terás fantasmas demais a povoar os sonhos,
E eu, bruxarias de menos

POE 901.703

Como é possível que a tensão da espera,
pela felicidade de tua chegada
destruísse a alegria do teu encontro.
Chegastes e já te havia sentido,
e não fui o abraço feliz,
não fui alegre.
Deixa-me partir se não puder
ser um passo leve, uma brisa,
um encantamento
para a infinidade que és,
que aspiro sempre como o ar
e nem sempre manifesto o que me fazes.
Perdoarás que eu seja assim,
poderás viver estas frações de vida
quando somos totalidades?
Deixa que eu te ame
e descubra neste amor a alegria,
a festa, a vida,
toda a plenitude da vida.

POE 900.103-3

Manhã de azul completamente céu,
em que o destino do homem
É claro raio de Sol
Ou noite.

Hora semelhante àquela sobre as areias
Em que afronta sua hora o homem
Sobre as ardentes dunas
Dos desertos.

É sempre dia claro após as borrascas
E as mais intensas tempestades
Das fúrias despertadas
Na vida.

Manhã, hora e claro dia sempre
Quando antecede o momento fatal
Do derradeiro embate
A escolha.

E seremos cada um a seu modo
Trevas ou luz, amor ou ódio,
Luminosas esperanças vivas
Ou pranto.

E estarei a teu lado e dos homens,
Velhos, crianças, desamparadas e tristes
Apenas porque posso ir ou ficar
E decido.

Encontrando na escolha a resposta
Serei amanhã, raio de Sol ou estrela
E conduzindo um deserto
Encontro.

Serás como árvore de frutos doces
Á sombra da qual descansam as armas
E se recuperam os ideais
E as forças.

Serás como a flor que há no campo
Em meio aos destroços e anunciando
que sempre haverá amanhã
E vida.

Serás como a desdentada criança, rindo
O inocente riso das inocências
Mostrando aos sobreviventes
O amor.

Serás como o velho alquebrado e à morte
Ressequido e frágil, solitário e triste
que mostra aos jovens e fortes
A passagem.

Serás a razão da ponte no leve passo
Justificando o forte pilar que sustenta
A decisão de ser
E o rumo.

E saberás por este momento intenso
Que somente uma vez nos encontramos
Depois seremos senhores e pilares
Para os passos.

Da humanidade que segue eternamente
Pois mesmo à hora derradeira segue
Outro momento, outra transformação
Sempre.

Serás também um momento decisivo
Mas pela própria e clara manhã
Do alvorecer do que terá de vir
Em teu ser.

Serás deserto ou praia, estrela ou campo
Alegria ou dor ou tudo isto
E o que mais te encontre
Em vida.

Serás a glória eterna do renascimento
Da consciência e da vontade
E crendo dirás em meio à vida
“Eu sou”.

POE 900.103-2

Clara manhã de Sol
As multidões sonolentas ganham as ruas
Enfrentando-se, coloridas e confusas,
Que é um enfrentamento contínuo
Contra o não ver, não sentir,
Adiar-se e não ser
Dos homens que passam.
Dirás que é um jogo de palavras
E direi que é um jogo de palavras
E direi que é um jogo de vida e morte,
De damas e cavalheiros
Num longo xadrez postal.
               
Dirás que és igual e por querer
Diferes destas multidões que seguem
Direção nenhuma.
Apenas multidões coloridas e sonolentas,
De panos e plástico,
Bocejantes,
Adormecendo os televisores.

Dirás que és igual e lutarei à morte
Para que um dia hajam mais
Destes que passam
Com a tua igualdade.
Sendo o que és igualas e superas
A mim que sou o menor dos irmãos
E descobrindo a simplicidade que tens
Descubro a complexidade que são
As multidões que passam,
E ouvindo música,
Pintando ou te ouvindo
Preparo mais uma rodada de cartas
De antemão marcadas,
Jogo de sem fim que se joga
E podem ser apenas sensações de nós,
Apenas em nós...

POE 900.103

Oráculo
Crê na vida,
Não me verás outra vez
Do mesmo jeito,
Nem me terás da mesma forma
Duas horas seguidas.
Aquele raio de Som sobre a terra úmida
Clama por uma semente e uma mão que plante.
Aquela criança faminta espera
Pela dignidade que sacrifique o leito
E faça a justiça.
Aquela gente inteira é fruto
Que plantamos no ontem
Da inconsciência e do conveniente.
Agora crê em ti mesma
E tenhas o cântico dos guerreiros e guardiões,
As armas prontas e o passo certo,
Pois não te terás outra vez
Na mesma hora.

sábado, 29 de maio de 2010

POE 902.601-2

Manhã,
em que mais fantasmagórica
a alegoria das ausências
preenche as coisas...
Sinto tua falta de um modo estranho
quase irreal,
nos limites do humano.
Preenches e ao mesmo tempo
é como se não estivesses
e, no entanto, real
quase posso tocar e beijar teu riso...
Manhã que avança
enquanto os deveres,
ou os hábitos,
ou um não saber bem o quê
empurram para trás as ausências e saudades.
Manhã
em que tudo poderia ser por tua causa,
absorvendo em mim,
temores, resíduos e escombros
da imensidade que és
e de alguma forma custa a chegar...
Ouço canto de pássaros e vendo o sol altear
escuto tua voz como se estivesses
e compreendo tua eternidade.

POE 902.601

Bruma

É manhã do dia vinte e seis, pela janela os raios de sol amarelam inebriantes os morros em volta da cidade. Algumas impressões de ontem estão vivas, da noite se esfumaçam como os temores da manhã e o sono confunde as idéias... não consigo dormir a tua saudade, nem ter a paz necessária, nunca soube e somente aprendi em meio a turbulência, talvez seja assim, a paz seja uma utopia inalcançável para os nossos iguais .

Não procuro respostas, deixo que apareçam os fantasmas, sento com eles e trocamos nossas impressões mais antigas, pois são como fantasmas que mal consigo delinear, as desrazões dos fatos, como saber até onde de nossas missões? E estás tão real como o Sol na nova manhã, e terei de lutar pelo direito de poder estar contigo e conquistar do direito de ser em ti e , no entanto, nada há a lamentar que não tenha sido criação de nossa inconsciência.